Se for chorar, manda áudio: A hipocrisia mora ao lado

A Memória de Abril de 2018
Há datas que ficam marcadas a ferro e fogo na memória. O dia 7 de abril de 2018 foi uma delas. Enquanto Lula se entregava à Polícia Federal e era levado para Curitiba, nós, companheiros e companheiras, vivíamos um luto político profundo. Mas há uma cena específica, aqui no Acre, que eu jamais vou esquecer.

A Festa do Ódio na ALEAC
Enquanto alguns membros do PT acreano estavam reunidos em uma sala na Assembleia Legislativa (ALEAC), tentando digerir o golpe, os opositores não tiveram a menor dignidade. Do lado de fora, na praça em frente à ALEAC, eles faziam uma festa sórdida.

Soltavam fogos, gritavam palavras de ordem, insultavam nossa dor e celebravam a prisão do maior líder popular da história deste país. Não houve empatia, não houve “respeito ao momento”, houve apenas escárnio.

O Mundo Gira (e capota)
Hoje, com a prisão de Jair Bolsonaro, vejo esses mesmos figurões “sentidos”, reclamando que a esquerda está comemorando. Estão exigindo respeito? A vergonha na cara passou longe! Agora que o ídolo de barro deles está atrás das grades, querem ditar regra de comportamento?

O Recado
Aos parlamentares bolsonaristas acreanos, que naquele dia riam e soltavam foguetes enquanto nós sangrávamos, fica o aviso pedagógico da história: o mundo dá voltas. E para vocês, só tenho uma frase: se forem chorar, mande áudio. Aguentem, porque a lei do retorno é implacável.  

Polícia Federal – A Lei é Para Todos (o filme)
O “Grande Dia” em que o feitiço virou contra o feiticeiro 

A Prisão 
Neste sábado, 22 de novembro de 2025, o ex-presidente Jair Bolsonaro foi preso em sua residência, em um condomínio de Brasília. A prisão cautelar, determinada pelo ministro Alexandre de Moraes (STF), atende a um pedido da Polícia Federal (PF) e ratificado pela Procuradoria-Geral da República (PGR),  motivado pela violação reiterada do uso da tornozeleira eletrônica.

A ordem foi executada pela própria PF, que conduziu Bolsonaro à Superintendência do órgão no Distrito Federal.
 
O Risco de Fuga e a “Guarita”
Na justificativa do relator, Alexandre de Moraes apontou o risco iminente de fuga. O ex-presidente poderia aproveitar-se da movimentação de uma vigília religiosa, convocada por seu filho para hoje (22), para evadir-se.

Considerando precedentes de pedidos de asilo anteriores, a Justiça não descartou a possibilidade de Bolsonaro buscar “guarita” em alguma embaixada próxima à sua residência, repetindo um padrão de comportamento já monitorado pela inteligência da polícia.

Os Filhos: Carrascos da Própria Linhagem
Os filhos do agora presidiário Jair Bolsonaro,  o senador Flávio Bolsonaro e o deputado federal Eduardo Bolsonaro, acabaram se revelando os construtores da ruína do próprio pai. O cenário torna-se irreversível e desesperador para o clã, visto que o trânsito em julgado do outro processo é iminente:

o prazo final para os embargos de infringência se encerra amanhã. Esse marco jurídico selaria o destino do ex-presidente, tornando a prisão definitiva, o que aumentou drasticamente o risco de uma tentativa de fuga nas últimas horas.

A Profecia da Camiseta
A prisão traz à tona uma ironia implacável. Em dezembro de 2018, logo após a eleição e antes da posse presidencial, Michelle Bolsonaro usou uma camiseta estampando a frase: “Se começar nesse tom comigo, a gente vai ter problema”.

A fala original era da juíza Gabriela Hardt, que substituiu o ex-juiz Sérgio Moro — declarado parcial pelo STF, no processo contra Lula. O tempo passou e a profecia se inverteu: de fato, quem acabou tendo “problemas com o tom” foi a própria família Bolsonaro.

Foram as atitudes desafiadoras do clã que contribuíram diretamente para a prisão do patriarca.

A “Vigília Santa” como Cortina de Fumaça
O estopim para a ordem de prisão foi a convocação feita por um dos filhos para uma concentração no balão do Jardim Botânico, próximo ao condomínio Solar de Brasília 2, marcada para as 19h deste sábado.

Sob o pretexto de uma “vigília pela saúde de Bolsonaro e pela liberdade do Brasil”, a Justiça interpretou o ato como uma manobra clara para criar tumulto e facilitar a fuga do condenado, uma tática de “escudo humano” e distração midiática.
 
Decisão do ministro Alexandre de Moraes
“Expeça-se o mandado de prisão, destinado à Polícia Federal, que deverá ser cumprido no dia 22/11/2025, no período da manhã. A medida deverá ser cumprida com todo o respeito à dignidade do ex-Presidente da República, Jair Messias Bolsonaro, sem a utilização de algemas e sem qualquer exposição midiática. O réu deverá ser recolhido na Superintendência Regional da Polícia Federal no Distrito Federal.” .” Integra aqui

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